Nunca vos aconteceu olharem para algo, um facto, uma paisagem, uma condição ou um acontecimento, e sentirem que não era natural? Algo fabricado, irreal. Fruto de um capricho ou de uma vontade incerta do amanhã. Como se a realidade vos quisesse contrariar. Não pode ser assim. Mas é, e há que estar ciente de que, por vezes, não nos resta nenhuma opção senão aceitar.
E geram-se conflitos quando não aceitamos esta realidade (a nossa). Revolta, raiva, negação.
Mas a felicidade é eterna e apenas as suas razões são efémeras. Assim, cada um de nós, lidando e enfrentando com as adversidades à sua maneira, na grande maior parte das vezes, irá ultrapassar essa sua desordem interior. E o que acontece quando não se ultrapassa? Surge a verdadeira infelicidade. Uma dor tão forte que cessa a nossa vontade de viver. Talvez seja ignorância e ingenuidade minha mas o que poderá ser superior a tudo? O que poderá pesar mais que o respirar, o sentir, o amar? Talvez a falta de isso mesmo, não sei.
E como já tu dizias, ao Homem dói-lhe a ignorância. E eu, apesar de concordar, sinto que devo acrescentar que aquele que vive de olhos vendados para o mundo - e que desconhece a sombra que o cobre - consegue ser mais feliz com menos destreza. Ao verdadeiro ignorante, não lhe dói a ignorância.
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