segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Estou cansada desses olhos cansados que me fitam. Afinal: quem és tu?

Desvaneios cansados.

És puro espelho. Que é tudo sem o ser. E sendo aquele ente que aparentas, reflectes aquilo que os outros são.
Tens medo de revelar o que és e refugias-te naqueles que não merecem. Munida de olhar vazio e distante, a frieza vive em ti. Distribuis as culpas por quem te acolhe: a tristeza que carregas é agora minha. Só que tu sabes - e não no fundo, está mesmo à flor da pele - que não devia ser assim. E surge a revolta. Pelas lágrimas que não podes deixar chorar, pelo Socorro que não ecoa... Por tudo aquilo que não podes mostrar que és.
És tão mais do que uma incógnita nesta equação. O resultado não é meu, é nosso. Prende-o a ti e não o soltes nunca. Quem sabe um dia descobrirás quem és. E quando o relógio parar vais perceber: dar-me uma oportunidade é a solução. Vou mostrar-te que não é, nem tem que ser assim.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

(não) natural.

Nunca vos aconteceu olharem para algo, um facto, uma paisagem, uma condição ou um acontecimento, e sentirem que não era natural? Algo fabricado, irreal. Fruto de um capricho ou de uma vontade incerta do amanhã. Como se a realidade vos quisesse contrariar. Não pode ser assim. Mas é, e há que estar ciente de que, por vezes, não nos resta nenhuma opção senão aceitar.
E geram-se conflitos quando não aceitamos esta realidade (a nossa). Revolta, raiva, negação.
Mas a felicidade é eterna e apenas as suas razões são efémeras. Assim, cada um de nós, lidando e enfrentando com as adversidades à sua maneira, na grande maior parte das vezes, irá ultrapassar essa sua desordem interior. E o que acontece quando não se ultrapassa? Surge a verdadeira infelicidade. Uma dor tão forte que cessa a nossa vontade de viver. Talvez seja ignorância e ingenuidade minha mas o que poderá ser superior a tudo? O que poderá pesar mais que o respirar, o sentir, o amar? Talvez a falta de isso mesmo, não sei.

E como já tu dizias, ao Homem dói-lhe a ignorância. E eu, apesar de concordar, sinto que devo acrescentar que aquele que vive de olhos vendados para o mundo - e que desconhece a sombra que o cobre - consegue ser mais feliz com menos destreza. Ao verdadeiro ignorante, não lhe dói a ignorância.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Coincidências.

A vida é uma série de coincidências. Se mudarmos um pormenor, por mais pequeno que seja, o resultado será totalmente diferente.
Nunca pensaste no que teria acontecido se as coisas tivessem sido assim, em vez do que foram? Chega a ser irónico e assustador. O poder que os pormenores têm arrebata qualquer hipótese em que não damos importância a tudo. Em que não somos meticulosos e metódicos. Torna-se necessário tentar que tudo bata certo.

No entanto, há algo que nos impede de agir assim: a vontade. Essa ilusão que por vezes de nada serve, uma vez que o que sentimos e queremos nem sempre é o melhor. E eu (quase que) temo. Como decidir? A que dar mais importância mais quando tomamos uma decisão? Racionalidade ou vontade? E os impulsos? Por muito que escolha o que penso que seja o mais correcto agora - a racionalidade - sei que na altura, na chamada hora h, vou agir impulsivamente, tomada pelo ódio ou pelo amor, pela amizade ou pela raiva ou até mesmo pelo afecto ou pelo rancor. Só sei ser assim: complicada.

E sei também inventar desculpas para não estudar Filosofia: um post. E é esta a explicação para escrever às 23:30 de uma Quarta-feira :)

segunda-feira, 24 de março de 2008

Sabes?

Hoje acordei e senti que sabia. O porquê, o como, o para quê, o quando, o quem... Mas tu não me deixaste cair na mais perigosa das ilusões, a minha. Agarraste-me com as tuas mãos firmes - essas sim protegem-me e sabes bem o quanto - e mostraste-me. Muito mais que dizer que sim, que aplaudir cada passo meu: tu guias-me. Uma luz que brilha sem ofuscar. Que me deixa olhá-la sem nunca me perder ou ter de virar a cara. Assim és tu. Mais que palavras, momentos. Sentimentos, sabes?
Guiaste-me por ensinamentos que jamais pensei existirem. Ensinaste-me a perdoar, a decidir, a ser mais do que uma opinião preconcebida, um estereótipo. A ser, fundamentalmente, eu. Sem medo de perder mas com vontade de ganhar. Sem caprichos, prepotência. No entanto, deixaste a lição pela metade. Afirmas que a experiência irá ser, um dia, a minha melhor conselheira. Eu espero que sim, mas quero-te lá.
E então perguntaste-me:
- Ainda achas que sabes?
E, num sussurro que só tu sabes e conheces, repliquei:
- Não.
Mas e tu? Sabes?

sexta-feira, 21 de março de 2008

A realidade das metáforas.

Até realmente começar a escrever tinha decidido que o primeiro texto deste blog seria sobre mudança... Mas qual mudança? Sim, as relatividades começam aqui.

Há uns tempos atrás escrevi um texto sobre mim. Sem metáforas, só realidade pura (nada dura, no entanto). Hoje sei que estava enganada. Aquilo sim, eram só palavras bonitas. Ao ler aquele texto, já nem lhe vejo - ou sinto - o sentido.
E eu gosto de metáforas. De dizer o que quero sem que se perceba, se bem que para ser indirecta não tenho grande jeito. E toda a metáfora tem a sua realidade, não deve ser dita só porque soa bem.

P.S.: Excelsa, aquele post estava longe de ser triste. É o sabor da mudança. Além disso... desastrada? Onde? ;)
Desastrada? Hm, Mariana.